AMD se divide e vira Fabless

Painkiller

Como já foi antecipado ontem, a AMD reuniu a imprensa na tarde de hoje para confirmar a divisão da companhia em duas entidades: uma responsável pelo design e pela comercialização dos chips (conservando o nome AMD) e a outra encarregada da fabricação dos chips. Esta última foi batizada provisoriamente de The Foundry Company e, se for o caso, ela também poderá fabricar chips para outras companhias além da AMD. Conseqüentemente, com este movimento a AMD se transforma num designer de chips fabless (sem fábricas) da mesma forma que a NVIDIA, mas com a diferença de que a AMD manterá sua participação e o direito de decisão na The Foundry Company.

A ATIC (Advanced Technology Investment Company), uma companhia da Abu Dhabi dos Emirados Árabes Unidos, investirá 2,1 bilhões de dólares para entrar no capital da The Foundry Company: 1,4 bilhão de dólares diretamente para o financiamento da nova companhia, enquanto que os 700 milhões restantes irão para a AMD. A ATIC ainda deverá gastar entre 3,6 bilhões a 6 bilhões de dólares (5,7 bilhões foram anunciados) nos próximos 5 anos para garantir o desenvolvimento da foundry. Quanto a AMD, esta poderá reinvestir, mas agora ela não tem esta obrigação.

A nova entidade estará presente em Dresden na Alemanha, mas também no Silicon Valley, na Califórnia, em Austion, no Texas e no condado de Saratoga, em Nova Iorque. No total ela terá mais de 3000 empregados e apesar da AMD não ter anunciado nenhuma onda de demissões, assim mesmo algumas pessoas poderão perder os seus empregos. Com o tempo, novas instalações poderão ser criadas em Abu Dhabi.

A AMD dispõe da metade dos votos no Conselho de Administração da nova companhia e ela se beneficiará de um contrato especial para a produção dos seus novos processadores, assim como de alguns outros produtos. A ATIC controlará 50% dos votos restantes no Conselho de Administração. As quotas da nova entidade serão distribuídas da seguinte forma: 44,4% para a AMD e 55.6% para a ATIC. Portanto, a AMD será minoritária no novo esquema, mas ao mesmo tempo ela terá o mesmo poder de decisão da ATIC.


Com relação à área executiva, o vice-presidente daquela que respondia pela parte de produção da AMD, Doug Grose, se transformou no novo CEO (chief executive officer) da « The Foundry Company » enquanto que Hector Ruiz, ex-CEO da AMD, deixará a sua função de Chefe do Conselho de Administração da marca para assumir um lugar no Conselho de Administração da nova companhia. A AMD deverá anunciar a sua substituição uma vez que os acordos tenham terminado. A TFC deverá contratar o mais rapidamente possível uma equipe inteira de especialistas do setor para formar a sua direção.

Os novos fundos aportados pela ATIC serão utilizados, principalmente, para aumentar a fábrica de Dresden e aumentar a sua capacidade de produção, mas também para dar início à construção de uma nova fábrica em Malta, uma pequena cidade de 13.000 habitantes situada em Saratoga, no Estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Esta fábrica deverá responder por 1400 empregos diretos e por 5000 empregos indiretos na região. Depois dos primeiros anúncios, que remontam a 2006, nós tomamos conhecimento de que a AMD receberia uma ajuda de mais de 1 bilhão de dólares do Estado de Nova Iorque. Portanto, a The Foundry Company espera poder resgatar estes fundos prometidos a AMD, com base no fato de que ela controla quase 50% da TFC. Agora só nos resta esperar para que este seja o caso.

A TFC também participará da IBM Alliance, uma coalizão destinada a compartilhar os custos de pesquisa e desenvolvimento do setor. Várias divisões da IBM se encontram geograficamente próximas da nova fábrica, pois elas também estão baseadas no Estado de Nova Iorque.

A ATIC (Advanced Technology Investment Company) e a Mubadala (Mubadala Development Company) são companhias de investimento formadas pelo governo de Abu Dabi. Abu Dabi é um dos sete emirados que formam os Emirados Árabes Unidos. Esta é uma das formas de diversificação escolhida pelos países árabes, onde a maioria dos recursos vem do petróleo, para garantir o seu futuro financeiro no longo prazo (portanto, eles não pretendem ganhar dinheiro imediatamente).

A Mubadala por sua vez já dispõe de 8.1% da AMD (comprada por 622 milhões de dólares em novembro de 2007) e a sua participação deverá aumentar para 19.3%. Isso será feito através de uma compra massiva de ações. Este aumento de capital garantirá a Mubadala um lugar no Conselho de Administração da AMD. Um acordo para os próximos 12 meses também foi costurado pelas duas companhias visando o planejamento futuro da The Foundry Company.

Para a AMD, as conseqüências são múltiplas e amplas. Com relação a parte financeira, isso significa principalmente uma lufada de ar de 2.1 bilhões de dólares (1.2 bilhão de dívidas pagas pelos fundos da nova entidade, 700 milhões pagos pela ATIC pela compra de uma parte das fábricas e tecnologias da AMD e 314 milhões de dólares adicionais da Mubadala). Isso também permitirá a AMD se concentrar no design de chips, CPUs e GPUs com mais tranqüilidade.

Além do dinheiro aportado pelo Estado de Nova Iorque e dos diferentes acordos que ainda precisam ser feitos entre as partes, este investimento ainda precisará ser validado pelo Secretário do Tesouro norte-americano, o agora famoso (pelo seu plano de ajuda a economia americana) Henry Paulson, mas ele deverá perder seu cargo no dia 20 de janeiro de 2009 com a chegada do novo presidente americano a Casa Branca. Agora a AMD vai ter de torcer para que o investimento maciço de fundos estrangeiros no seu capital não seja rechaçado por esta nova administração. O parecer final está previsto para o início de 2009.

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